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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Se não tivesses estado aqui...

Há muitos anos atrás, em um lugar chamado Betânia, moravam três irmãos: Lázaro, Marta e Maria. Eram amigos de Jesus. 
Lázaro adoeceu. E imediatamente mandaram chamar Jesus, que estava em outra cidade. Mas ele não foi. Não imediatamente... E não foi por uma razão muito simples: queria que acontecesse o impossível!
Sabendo da condição de seu amigo, permitiu que tudo ocorresse (até o extremo da morte) para que "o Pai fosse glorificado no Filho" (usando as palavras Dele)...
Observamos aqui a didática de Deus, que tantas vezes acaba por permitir que algo de ruim aconteça, para que Sua glória seja manifestada depois, para que Ele venha a dar um novo sentido, uma direção... 
Para que Ele trabalhe esse fato. Realize uma ressurreição...
Retrocedendo a alguns fatos da minha vida, resolvi colocar Jesus de uma forma diferente... Não como aquele que "chegou atrasado" e a quem se diria "Senhor, se tivesses estado aqui isso não me ocorreria...", mas como alguém que esteve comigo todo o tempo. Que viveu comigo o que eu vivi, habitando-me...
Foi então que me senti na liberdade de parafrasear Marta e Maria, e dizer:

- Senhor, se não estivesses estado comigo, eu não teria vivido...

E experimentei a gradidão de ser sobrevivente e poder enxergá-lo nas minuciosidades. 
Experimentei essa liberdade que se chama RESSURREIÇÃO!

Rafaelly '

sábado, 18 de agosto de 2012

Valeu, Teresinha!

Eu não poderia deixar de compartilhar a pequena-grande benção que recebi esta semana.

A benção, só de Deus mesmo (mas Santa Terezinha foi quem me ajudou).

A ocasião foi a realização da Novena das Rosas, na qual colocava um pedido pela vida de uma pessoa nas mãos de Terezinha de Jesus. Diz a tradição que após a novena a pessoa recebe uma rosa, sinal de que a graça será alcançada. Já tinha perdido as contas de quantas vezes tinha começado "a saga dos nove dias" (sem findar), mas dessa vez foi diferente... Ontem, dia 17 do mês, quando eu cheguei na minha casa (da cidade em que passo a semana), meu pai se apresentou com um buquê, das rosas que havia retirado na casa de uma das minhas avós. Bem, poderia ser qualquer coisa... mas para calar qualquer incredulidade de minha parte, minha mãe comentou:

- Estranho seu pai nunca trazer flores, e ter feito isso logo hoje!

Pois é, né mãe?! Pois é... Logo hoje!...
Abri então um sorriso, pela certeza de que Deus está lá no céu, mas também do nosso ladinho, ouvindo cada prece silenciosa. E de que por amor aos seus, manifesta-se nas coisas mais simples e singelas, como um buquê de um fundo de quintal.

E eu, dou um brado de alegria dizendo: 

- Valeu Terezinha! Valeuuuu JESUS! (:


quinta-feira, 2 de agosto de 2012

A menina e o Tesouro


"O Reino dos Céus é também semelhante a um tesouro 
escondido no campo. Um homem o encontra, mas o esconde 
de novo. E, cheio de alegria, vai, vende tudo o que tem 
para comprar aquele campo" (Mt 13, 44)

Encontrou-o enquanto passaeva pelo jardim. Quase por um acaso, se acreditasse em acasos. Não sabia a dimensão de sua descoberta, mas algo em seu coração batia forte só de olhá-lo e isso bastava-lhe.

Ele lhe bastava.

O tesouro era sua Vida. E sua vida era o Tesouro. Ela queria que ambos fossem como um. Ele também.

Então foi e deixou-se perder de si (como é necessário em qualquer romance), repetindo insistentemente a cada pedaço que lhe saía:

"Que seja assim. Que seja assim. Que assim seja. Amém".

Rafaelly '

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Me adornas com Amor. Amor de cruz!




É na cruz que Jesus reina, então é na cruz que cada alma esposa, que cada cristão, deve reinar também.
Nos encanta a beleza do jardim, o colorido, a alegria que traz. Mas muito mais nos deve encantar este amor crucificado, este amor ressuscitado que os céus não puderam conter, este amor que nem mesmo a morte pode conter, mas ressuscitou para nós. 

(Ir. Maria Joana em Verbi Sponsa)


quinta-feira, 22 de março de 2012

A menina da cabeça colorida


Andava desconjuntada, coitada, de tanta surra que levara da vida.

A tinta do cabelo já caíra faz tempo, na mesma época em que abortara seus sonhos. Certo era uma palavra já abduzida do seu riquíssimo vocabulário, incrementado com livros de física, química e mais algumas prosas. Sua vida não passava de uma tentativa desgastante de reafirmar para si que estava tudo bem.

Eu a espreitava de longe.

Acompanhei suas decisões transformarem-se em incertezas. E sua vontade de vencer deformar-se a vontade de nada. Não se culpava. Nem a Deus. Nem ao diabo. E não esperava melhoras...

Eu continuava a espreitá-la.

Não procurava respostas, soluções ou algo assim. Estava cansada de viver. Mas também não queria morrer. Não queria nada. “Só ficar quieta, obrigada”, respondia com o coração toda vez que me aproximava.

E eu continuava...

Não sossegaria enquanto não visse sossegar aqueles olhos escuros com maquiagem permanente. Não me cansaria de desgastar os joelhos e o juízo se não a visse caminhar de novo com os passos firmes E PARA O LADO CERTO.

Não. Não me cansaria, porque ela carrega em sua mala de loucuras uma força capaz de levantar o mundo.

Rafaelly '


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

De como eu aprendi a te amar



Ainda era guria quando você vinha me visitar. Passava sempre dois dias, nunca mais que isso, porque a saudade que você tinha de sua casa vazia não permitia.

E eu adorava sua presença... deitava no tapete da sala e colocava um dos pés no braço da cadeira em que você sentava. Então você começava a rir e estendia seus dedos finos e macios para me fazer cócegas. Chamávamos essa brincadeira de caranguejo. Foi você mesma quem batizou enquanto me contava a história de quando um caranguejo se prendeu no seu dedo e teve que esmagá-lo na parede para ele poder sair. Quantas não foram as vezes que me repetiu isso? (Acho que naquele tempo sua memória já lhe traía). Mas eu nunca me cansei de ouvir...

Muitos anos se passaram, eu cresci. As moedas de um centavo deixaram de ser usadas e os trocadinhos que a senhora me dava pra comprar bala já não faziam o mesmo sentido. Suas visitas a minha casa tornaram-se raras e eu comecei a estudar em outra cidade. Meu tempo se encurtou (agora eu também tinha obrigações), acabei esquecendo que você também precisava de atenção...

Mas o mundo dá voltas, não é mesmo? E em uma dessas foi você que veio ao meu encontro, de mala e cuia, pra minha casa. Ocupou o meu quarto, a minha cama e quase que a completa atenção da minha mãe. Sinto muita vergonha em admitir isso, mas eu não gostei muito da sua chegada, não por sua presença em si, mas porque essas mudanças todas exigiam de mim uma maturidade que, apesar dos meus 18 anos, eu não tinha...

Demorei meses pra me adaptar a você com todas as suas crises de humor e de memória. Demorei outros ainda pra aprender essa paciência que você exige sem saber. Mais alguns pra mais do que suportar, gostar, amar o fato de te ter aqui comigo...

Hoje, enquanto você tomava café todas essas recordações encheram meu coração. E entre um papo e outro, sempre com assuntos repetidos (uma característica que o Alzheimer te deu), você me dava mais uma de suas lições:

- É minha filha, seja corajuda na vida!
- Corajuda, vó?
E você riu, sem nem se dar conta de seu neologismo:
- É... Corajuda, de quem tem coragem!

Então rimos juntas. Você pela alegria de ainda poder me ensinar e eu unicamente pela sua presença...
Pena que você não pode ler esse texto. Se eu tivesse levado mais a sério aquelas aulinhas na garagem de casa, quando eu tinha mais tempo e sua “vista” ainda permitia... Mas agora é tarde pra isso, embora não o seja para aproveitar toda a sabedoria e beleza que os anos te deram.

Sorte a minha!

Rafaelly '

Dedico esse texto a minha avó, e a todas as avós e netos desse mundão de meu Deus.



sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Do que se planta


Engoli roseirais, com raiz e tudo. Plantei por dentro o que deu, esperei crescer. Achei que não suportaria quando esses benditos espinhos resolveram revelar-se, mas respirei fundo e deixei sangrar. E por agora? Ah...

Por agora tudo aqui dentro floresce!

Rafaelly '